André Rodrigues

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A dieta do cérebro.

Posted by André Rodrigues em 05/11/2010


Pesquisa britânica revela: sua saúde mental (e profissional) está diretamenta ligada ao que você come.

Você é o que come: Em média, o cérebro de uma pessoa com peso ao redor de 65 kg é formado por: carboidratos, minerais, proteínas, gorduras e água

Sua alimentação pode ter impacto direto em sua saúde mental e, conseqüentemente, na sua produtividade profissional. Pelo menos é o que sugere uma pesquisa realizada pela Fundação Mental Health, no Reino Unido, relacionando o crescimento de distúrbios psicológicos (como depressão e hiperatividade) às mudanças da nossa alimentação nos últimos 50 anos. O estudo — que compilou material de outras investigações na área, uma pesquisa qualitativa com mais de 2 000 adultos e entrevistas com especialistas — avaliou os hábitos alimentares do cidadão britânico e descobriu que ele é um pacote ambulante de aditivos químicos: ingere, por ano, quatro quilos deles, a exemplo dos conservantes. Adicione a isso um ritmo de vida acelerado e temos uma dieta que inclui: – mais alimentos processados (daqueles que duram muito tempo no armário da cozinha e na geladeira)

– uma variedade menor de frutas e verduras

– muito mais cereais refinados (quem se lembra de arroz integral?) e quase todos baseados no trigo

– menos peixe e muita carne vermelha

– muito mais aditivos químicos (conservantes, agrotóxicos e seus resíduos etc).

A autora do relatório, Courtney van de Weyer, diz que esse tipo de alimentação, rica em alimentos processados, provoca uma deficiência de nutrientes vitais para o organismo — já que alguns deles são encontrados apenas na versão natural. “Além disso, há um problema extra: os alimentos processados contêm níveis altos de açúcares e gorduras trans, que são associados, em vários estudos, a problemas de saúde mental”, diz. Como nem só os ingleses modificaram os hábitos alimentares nos últimos anos — e muitos brasileiros seguem uma dieta igualzinha à que a pesquisadora descreve –, o alerta também vale para os profissionais do lado de cá do Atlântico.

Se para os indivíduos o resultado das mudanças alimentares é uma vida menos saudável, produtiva e prazerosa, para os países o prejuízo econômico é grande. A pesquisa da Fundação Mental Health, feita em parceria com a Sustain — ONG com sede em Londres que aconselha governos e agências reguladoras em assuntos ligados à políticas agrícola e alimentar –, enumerou os custos do problema para a saúde econômica dos britânicos. No Reino Unido, as perdas anuais em virtude de distúrbios psicológicos representam um prejuízo de 28,3 bilhões de libras esterlinas (ou mais de 49 bilhões de dólares). Para as companhias britânicas, a conta fica perto de 4 bilhões de libras anuais.

VEJA BEM…
A pesquisa britânica não encontrou evidências de que mudar sua alimentação de forma radical vai curar ou prevenir os problemas psicológicos e neurológicos. Mas indicou que uma dieta saudável diminui os sintomas e, se for necessário tomar medicação, potencializa os benefícios do medicamento, além de reduzir os efeitos colaterais. Esses resultados, no entanto, enfrentam algumas resistências. “Faz realmente sentido associar boa alimentação ao bom funcionamento do cérebro”, diz Arthur Guerra de Andrade, psiquiatra do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). “Mas é arriscado afirmar que uma alteração da dieta, sozinha, teria poder para influenciar o funcionamento dos neurotransmissores [substâncias presentes no cérebro que, quando não estão em equilíbrio, podem causar a depressão, por exemplo].” Aos médicos e cientistas que sugerem que associar dieta a doenças psicológicas é forçar a barra, Courtney van de Weyer responde: “É claro que é preciso fazer mais pesquisas. Hoje não se pode afirmar categoricamente que a depressão é causada por uma dieta pobre e que pode ser curada se você se alimentar de forma saudável. Mas dizer que não há nenhum impacto é ignorar muita investigação com evidências consistentes”.

Controvérsias à parte, é inquestionável o argumento de que uma boa alimentação beneficia o organismo. “Infelizmente, não vai ser comendo melhor que vamos eliminar o mal de Alzheimer. Mas um organismo alimentado adequadamente responde melhor aos medicamentos e enfrenta com mais competência qualquer distúrbio, não só os neurológicos”, diz o neurologista Pedro Paulo Porto Jr., do Hospital Albert Einstein e membro da academia americana de neurologia. Ou seja, da próxima vez que ficar indeciso entre a lasanha congelada e a suposta “trabalheira” para preparar a receita caseira da mama, use seu cérebro e fique com a segunda opção. Seus pneuzinhos podem continuar incomodando, mas a decisão pode fazer muito por seu bem-estar psicológico. O que a pesquisa inglesa comprovou foi aquilo que sua avó já sabia: comer direito só faz bem. Inclusive para o cérebro.


TROQUE O CONGELADO PELO ORGANICO

Você não precisa ter uma horta em casa para comer bem. Confira as dicas da Fundação Mental Health:

NA HORA DE COMPRAR
* Vá a feira ou a lojas de produtos naturais
* Coma produtos orgânicos. Se ficar caro para todos os dias, tente consumi-los apenas algumas vezes na semana
* Compre frutas e vegetais da estação

NA HORA DE COZINHAR
* Tente preparar você mesmo suas refeições. Sai mais barato do que congelado de supermercado. E sempre pode fazer em maior quantidade para congelar — a diferença é que você não vai precisar de todos os conservantes que a fábrica adiciona
* Essa é do tempo da sua bisavó: lave beeeeem tudo o que você come cru

NA HORA DE COMER
* Coma cinco porções de frutas e/ou verduras por dia
* Evite as refeições feitas fora e entregues em casa. Geralmente são ricas em sal, açúcar e aditivos
* Coma peixe toda semana
* Não substitua a refeição feita com ingredientes frescos por um sanduíche só porque é mais rápido
* Tenha sempre à mão ingredientes que lhe permitam cozinhar em casa.

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